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Massami Kishi
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  Guarulhos Século XX
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Jornal Olho Vivo - sábado, 15 de janeiro de 2000 | Artigo Nr: 97
 

O governo Ernesto Geisel decidiu transformar a Base Aérea de Cumbica em Aeroporto Internacional. A primeira providência foi aumentar a altura e a largura da ponte da rodovia Presidente Dutra sobre o rio Baquirvu.
Ao assumir em lugar de Geisel, o presidente Figueiredo pediu a continuação do ministro da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Mattos. Como o Aeroporto de Cumbica seria a última obra importante dos militares, a obra foi executada em toque de caixa para poder inaugurá-lo no último dia do governo Figueiredo. Por conta disso, o próprio ministro Délio administrou a obra.
Enquanto discutia a construção, o inconformado prefeito, Néfi Tales, e a ala de vereadores do PMDB fizeram várias viagens a Brasília, levando dezenas de turistas como cabos eleitorais. Depois de tanto "bater o pé" contra o Governo, Néfi conseguiu apenas a inclusão de Guarulhos no nome do Aero
porto. Como não lembrou de exigir a construção de uma avenida, que ligasse a cidade ao local, o prefeito, com muito custo, conseguiu uma ponte no Cecap.
O nome Cumbica, em tupi-guarani, significa nuvem baixa ou nevoeiro, ou seja, lugar que sempre tem umidade no ar. Isso ajuda a levantar vôo ou aterrissagem do avião. Se nosso prefeito e vereadores tivessem conhecimento de aviação, saberiam que Cumbica ficava num lugar privilegiado e indispensável para aeronaves de grande porte que fazem longas viagens.
Entre outras coisas, Néfi poderia ter exigido, em troca do barulho do avião em nosso município, a construção de uma universidade federal. No Japão, por exemplo, quando da construção do aeroporto de Narita, o município de Tsukuba ganhou uma cidade para 20 mil cientistas.
Em agosto de 1984, quatro meses antes da inauguração, ofereceram milhares de empregos aos guarulhenses. Minha filha, conseguiu uma das vagas e, entre outras coisas, foi a responsável pela obtenção do Certificado ISO 9002, dando à Cumbica a condição de melhor aeroporto do mundo.
Na véspera da inauguração, eu, Francisco Tabajara e Nobumitsu Chinem planejamos uma surpresa para as autoridades, convidadas. Era 20 de janeiro de 85, dia chuvoso, e nós estávamos na entrada do aeroporto. Havia duas entradas, sendo uma para autoridades, que dava direito ao finger´s, e outra para a Imprensa.
Nós, da Imprensa, achamos estranho, já que ficamos confinados numa espécie de
"chiqueirinho". O Pior é que. o antecedente de todos os, jornalistas já havia sido checado.
a
Pior ainda para o pessoal da Globo, que não apresentou antecedentes e foi impedido de entrar para fazer a reportagem.
Não foi possível realizar nosso plano porque, além do chiqueirinho, metade dos convidados era de Guarulhos. O alto-falante anunciou a chegada do jumbo presidencial, mas Figueiredo não veio, mandando como representante o ministro da Fazenda, Delfim Neto.
Nesse momento, consegui arranjar um crachá falso de fotógrafo oficial da Infraero, para sair do "chiqueirinho". Com isso, posicionei-me bem no centro, justamente o lugar de honra na inauguração. Eu, com uma enorme e esquisita Polaroid, comecei a tirar fotos sem parar.
Francisco Tabajara, que ficava atrás de mim, pegou várias fotos e foi abrindo-as a caminho do portão do aeroporto, onde um motorista esperava o material para levá-lo à gráfica de Bonsucesso.
O trabalho foi rápido e, num prazo de duas horas, Tabajara já entregava o Jornal de Guarulhos às a autoridades que ainda permaneciam no aeroporto. Após o encerramento da cerimônia de inauguração, por volta das 12 horas, fomos elogiados pelos convidados e ministro, que não acreditou em nossa eficiência. No dia seguinte, fiquei sabendo que o verdadeiro fotógrafo da Infraero errou no ajuste de sua máquina, perdendo a cena da inauguração e outra da assinatura do livro. Se não fosse o meu crachá falso, a fotografia oficial da inauguração do Aeroporto internacional de Guarulhos/São Paulo não existiria.

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