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Massami Kishi
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  Guarulhos Século XX
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Jornal Olho Vivo - sábado, 7 de abril de 2001 | Artigo Nr: 142
 

João Munhoz e eu estudamos no mesmo Grupo Escolar de Guarulhos. Ele é natural de Piratininga interior paulista. O pai dele, Antônio Munhoz tinha reumatismo crônico e eles vieram para Guarulhos em 1936 para fazer o tratamento médico. Assim como todo
interiorano, eles eram loucos para conhecer o mar e, assim que chegaram em Guarulhos, foram passear e tomar banho de mar, Daí aconteceu um milagre: a doença que muitos anos o perturbou, naquele instante sumiu. No mesmo ano, Antônio Munhoz entrou na fábrica de máquinas de torrefação de café Lilla. Ele trabalhava na fundição de peça. Essa fábrica existe até hoje. Seu filho, João Munhoz, com apenas 12 anos foi trabalhar no Moinho Reisa, empacotando farinha de trigo. Ele fez isso para ajudar no orçamento da casa. Quando o fiscal do trabalho visitava a fábrica, João escondia-se no forro. Por semana, ele ganhava 9 mil réis.
Aos domingos, ele jogava futebol no Clube União Vila Augusta. Foi quando ele conheceu Antônio Navas e aprendeu o oficio de barbeiro. Começou a trabalhar como barbeiro perto de sua casa, depois foi para o Centro, na rua D. Pedro II, vizinho da Casa Poli. Ele passou a atender os clientes importantes da cidade como o Padre Vigário Ateus Elias. No dia 24 de setembro de 1949, João Munhoz casou-se com Isabel Rio e construiu urna casa na rua Constantino Colalillo o primeiro a construir nessa rua. Teve três filhos: José Carlos, Paulo Roberto e Magali. Nunca mudou-se de casa.
João Munhoz fez um curso de desenhista mecânico por correspondência, anunciado pela revista Cruzeiro. No dia 10 de outubro de 1960 ele entrou na Camargo Correia onde trabalhou até se aposentar, em 1 de abril de 1985. A máquina Tatuzão Shield, comprada pela Camargo Correia da Alemanha, perfurava o túnel para a construção das estações Luz e São Bento do Metrô, mas conseguia fizer apenas oito metros por dia. João Munhoz foi chamado para solucionar o problema e conseguiu modificar a máquina e ela passou a perfurar 13 metros por dia. Com isso, a empresa terminou o projeto antes do tempo previsto.
Com o projeto DIFO 6772, de 22 de julho de 1976, com diferencial de caminhão, a Dumpton Kdenting instala duas facas rotativas. Ele era rebocado por um trator e roçava o mato para facilitar a terraplanagem. Hoje é fabricado rio Brasil todo e é usado na lavoura.
A fábrica de cimento El Dourado, em Apiaí (PR), utilizava caçamba rotativa, na qual cada caneco levava 1.500 quilos de pedra de calcário ao forno de 37 metros de altura. Essa máquina foi importada da França e durou somente 30 dias. Caso os proprietários necessitassem de manutenção, o fabricante levaria no mínimo um ano para consertar. Então, o engenheiro Hélio Naganishi e o João Munhoz conseguiram tirar o defeito em trinta dias. No dia 14 de junho de 1984, na cidade de Diamantina, no Acre, região de nome "arroz sem sal", havia uma gigantesca máquina de extração de ouro e diamante e também não funcionava direito. Com a intervenção de João Munhoz, a máquina passou a funcionar de forma eficiente, extraindo quilos de ouro e diamante. Por todas essas glórias, João Munhoz recebeu apenas parabéns. João é um homem feliz e um dos poucos colegas de escola que tenho. Ele é corintiano.

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