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Em 15 de novembro de 1889, a República fora proclamada no Brasil e, com isso, a imigração de europeus foi incentivada. Os italianos, então, vieram em grande número para São Paulo, o que provocou um crescimento rápido e desordenado da cidade. A perda do controle de consumo de água foi inevitável.
Os moradores de São Paulo passaram a buscar água noutras localidades. A Serra da Cantareira passou a ser a grande fornecedora de água para a cidade. A Secretaria de Água e Esgoto usava a estrada de ferro - na época, o único meio para carregamento de grandes volumes para transportar o material de construção para a obra da barragem do Cabuçu, iniciada em 1905.
A obra foi coordenada pelo engenheiro Luís Betin Paes Leme. Formado na Europa, utilizou a técnica de concreto armado: aqueduto de 1,20 metro de diâmetro, comprimento de 16,6 quilômetros e tubulação e sifão para agüentar a pressão elevada. A barragem foi considerada a primeira grande obra de concreto armado do Brasil.
O cimento era importado da Inglaterra. De Balica, era transportado até Guapira, de trem. Depois, todo o material para o concreto era carregado em carros de boi até o Cabuçu. A obra foi executada em regime de urgência. Ela foi finalizada em 1907. À inauguração foi manchete do jornal O Estado de SP.
Havia água no Cabuçu, para abastecer a cidade de São Paulo até o ano de 2 000. Eram 14 quilômetros quadrados de represa e mais de 300 litros por segundo mandado para São Paulo.
Havia muita pressa em sanar a falta de água na Capital e foi por isso que a Secretaria de Água e Esgoto encheu a represa sem desmatar. O mato, porém, cresceu e provocou o entupimento na tubulação. A equipe responsável pela obra foi obrigada a esvaziar a represa para retirar a vegetação de dentro e a que estava em volta da barragem, até o nível da água.
Pedro de Souza Lopes participou na construção e ficou responsável pela represa do Cabuçu. Ele morava com a família no local e seu filho Bibi, Tibiriça Lopes, também exerceu a mesma função.
Já o neto Potiguara Lopes, quando formou-se engenheiro, a represa já estava desativada, mas o rapaz trabalhou na Prefeitura e na Proguaru até o ano passado.
Na década de 50, o prefeito Mário Antonelli, instalou um cano de 200 milímetros na barragem, trazendo a água encaixada para Guarulhos. Estávamos tio Regime Militar. O interventor, Jean Pierre Hermann de Morais Barros, depois da obra finalizada, instalou uma tubulação de 400 milímetros. Com isso, a Sabesp pôde abastecer a cidade com água tratada em abundância. Em 1976, a Barragem do Cabuçu foi desativada.
Hoje, a grande obra de concreto armado é utilizada como suporte de propaganda eleitoral. Esperamos que uma parte seja preservada. E, que seja colocada placa de bronze lembrando que aquela barragem foi o orgulho do guarulhense.
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